terça-feira, 27 de maio de 2014



ESPERANÇA



Há certo tempo, criei esse blog. Defini um nome, um perfil, na mente, um público. Semana após semana, deito em minha rede, abro a porta da varanda e, à luz da escuridão noturna sobre meu computador, escrevo, reescrevo e escrevo. Nada. Na mente, só o vazio, a ausência, a falta. Sem tema, não existe opinião. Não surge rima, métrica, tampouco poesia. Sobre o que escrever? Sobre o que falar? 

Provavelmente, já falaram sobre tudo. Redes sociais. Opiniões, reclamações, desabafos, notícias. As pessoas, os dias, todos estão fartos e eu também. O silêncio me ensurdece e angustia.

Na alta madrugada, a ausência plena do sono aumenta o tormento de tentar dizer. Mas, o quê? Realmente, é possível que não haja mais nada para se falar, sussurra aos meus ouvidos, na brisa gelada da escuridão, a solidão, cansada de minha presença e da necessidade de expressar o quê, não se sabe.

O tempo, relativo. Um segundo, a eternidade desoladora. O vazio se estabelece, sólido, impenetrável.

De repente, a saudade. Não de um passado, sobretudo, daquilo que nunca não se viveu. Ela, aos poucos, aquece, derretendo, abrindo espaço para a vida e para a morte. Não há verbo, apenas sentimento, um desejo. Uma vontade de abraçar, de beijar, de errar e de acertar. Talvez, mais errar. Tudo cresce e toma o ser. Etéreo, imaterial, porém real. 
O sorriso amanhece e releva o novo dia que chega. Quem sabe a última chance, ainda sem palavras. Apenas sendo o que é, nem mais, nem menos. Tomo banho e, depois, visto a roupa de domingo. Tomo café, não mais o amargo de sempre. É segunda-feira! Ao fechar a porta, no coração, a certeza de que mais tarde, ao voltar para casa, estarei sozinho, sem a companhia da solidão.